ECONÔMICO E FINANCEIRO

Cenário Macroeconômico

Mundo

A incerteza quanto aos rumos dos próximos anos também marcou o cenário internacional, sobretudo no campo político. Na Europa, a aprovação da saída do Reino Unido em plebiscito (Brexit) expõe as dificuldades para a manutenção da União Europeia e de seu projeto de moeda única. Nos Estados Unidos, a eleição do empresário Donald Trump para a presidência levanta inúmeras dúvidas sobre as estratégias da maior potência do mundo para os  próximos anos. Protecionismo, nacionalismo, revisão de acordos comerciais, taxação de produtos importados e deportação de imigrantes entraram na agenda política e econômica dos EUA.

A economia japonesa demonstrou sinais de recuperação. Em termos econômicos, a previsão do FMI para 2016 é de expansão de 3,1% do PIB global, mas este crescimento deverá ser o menor dos últimos sete anos. A desaceleração da economia norte-americana, que deverá ter crescimento estimado de 1,6%, reafirmou a necessidade de cautela na elevação das taxas de juros, mantidas baixas nos últimos anos para estimular a retomada econômica.

A União Europeia apresenta crescimento estimado de 1,7%, confirmando a necessidade de políticas de incentivo. Os países emergentes, entres eles Brasil, Rússia e Argentina, enfrentaram em seu conjunto sérias dificuldades para voltar a crescer devido a desequilíbrios macroeconômicos. Some-se a isso o patamar baixo dos preços das commodities e dificuldades de ordem política. Dúvidas quanto à desaceleração da economia chinesa, considerada um dos motores do PIB mundial, provocaram instabilidades no mercado acionário. O governo chinês assegurou a perspectiva de crescimento e atingiu a marca de 6,7%, a menor em 16 anos. Apenas a Índia apresentou estimativa de maior crescimento (7,5%) por ter avançado significativamente na pauta de reformas estruturais.

Brasil

A combinação das crises política e econômica, que culminaram com o impeachment da presidente Dilma Roussef, fez de 2016 um ano particularmente desafiador para o Brasil. Ainda que sinais de recuperação pudessem ser observados  no final do ano, o término do ciclo de políticas  heterodoxas não foi suficiente para recuperação expressiva da economia. O ano se encerrou com retração de 3,6% no PIB e 12 milhões de desempregados, confirmando a maior recessão registrada no País desde 1948.

Nos últimos dois anos, a retração do PIB atingiu 7,2%. A maioria dos indicadores econômicos manteve a perspectiva de queda. A produção industrial brasileira caiu 3,8%. Com o risco de desemprego, o consumidor, que também sofreu restrições de crédito, diminuiu sensivelmente seus gastos.  O consumo das famílias  registrou baixa de 4,2%. O setor de serviços, como um todo, encolheu 2,7%. A produção agropecuária sofreu queda de 6,6%, também devido a intempéries climáticas.

Tímidos sinais de recuperação puderam ser observados ao final do ano, porém ainda há um longo caminho a percorrer para estabilizar de fato o país e criar um ambiente favorável para o crescimento econômico.

A inflação passou de 10,67% em 2015 para 6,29% em 2016, ou seja, o índice ficou dentro da margem prevista pelo Banco Central que varia de 4,5% a 6,5%.  Ao identificar a trajetória de queda da inflação, o Comitê de Política Monetária – COPOM iniciou um movimento de redução da taxa básica de juros (SELIC) em outubro. No final do ano a taxa atingiu 13,75%. A taxa de câmbio, que atingiu em janeiro de 2016 R$ 4,16, a maior cotação desde o início do Plano Real, manteve-se em queda ao longo de 2016, encerrando o ano em R$ 3,24, com a tendência de valorização do Real devido principalmente à mudança de conjuntura interna. A interrupção do agravamento da crise pode ser considerada um sinal de alento num cenário ainda complexo que exige enorme esforço da sociedade para sua superação

O equilíbrio das contas públicas passou a ser o norte da ação do governo. A crise dos últimos anos levou ao endividamento progressivo do setor público, trazendo a necessidade de uma discussão atenta sobre as despesas da União, de Estados e de municípios. Por força da legislação, os governos são obrigados a expandirem as despesas sempre que a receita cresce e não podem ajustá-la em eventuais quedas de arrecadação. Nos últimos anos, devido à queda da receita e às políticas econômicas de expansão de despesas, o aumento dos gastos públicos tornou-se insustentável.  A aprovação da PEC 241/55, que impõe regra ao crescimento das despesas primárias do governo central visa conter esta trajetória.  A emenda constitucional fixa por até 20 anos um limite para as despesas dos três poderes, respeitando-se a regra de correção pela inflação do que foi gasto no ano anterior. A recessão também provocou deterioração das contas de Estados, o que levou à aprovação de um projeto de lei de renegociação das dívidas com a União.

De acordo com analistas, o cenário de retração acentuada na atividade econômica deverá ter uma reversão lenta, com redução das taxas de inflação e de juros. A recuperação da confiança dos agentes é condição para a retomada, mas ela depende da capacidade de cumprimento das promessas de ajuste feitas pelo atual governo e dos reflexos na economia real para retomada dos níveis de emprego e renda.

Ao final de 2016, a intensidade da perda de postos de trabalho diminuiu, mas a taxa recorde de desemprego e a perda do poder de compra dos assalariados demonstram as dificuldades para uma melhora consistente do quadro econômico e social

Segmento de Previdência

O impacto das despesas com previdência social é significativo na formação do déficit público brasileiro. Em 1997, os gastos neste setor correspondiam a 0,3% do PIB. Em 2016, as despesas saltaram para 2,4% do PIB e o déficit atingiu R$ 149,73 bilhões. Para estancar o aumento progressivo e garantir a sustentabilidade presente e futura do sistema num cenário de aumento da população idosa e redução da participação da população mais jovem, o governo encaminhou ao Congresso, em dezembro de 2016, proposta de reforma da Previdência Social, que procura ajustar as regras de concessão de aposentadoria com a transformação demográfica e de população economicamente ativa do país.

Neste cenário de dificuldades, o papel dos fundos de previdência complementar ganha relevo. A preocupação com a garantia dos rendimentos futuros e a necessidade de complementação requerem do brasileiro reflexão sobre os impasses vividos no setor público e sobre as melhores formas de investimento capazes de assegurar renda futura num contexto interno de crise e de redução de taxas de juros. Para os planos de previdência complementar, aumenta a responsabilidade na gestão dos fundos no longo prazo, na eficácia em conseguir as melhores taxas de rentabilidade para os investimentos e no fornecimento de orientações e informações precisas aos Participantes. O fortalecimento do mercado de previdência complementar impõe-se no atual momento do Brasil, mas o crescimento real do segmento dependerá da solidez dos fundamentos da economia nos próximos anos.


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